Este treino reúne questões autorais de múltipla escolha, verdadeiro ou falso e compreensão, com gabarito comentado. Elas foram elaboradas para exercitar leitura literária e revisão de conceitos; não são reproduções de itens oficiais de ENEM ou vestibulares. Responda antes de abrir o comentário e, se necessário, volte ao resumo e aos personagens.
Questão 1 — Sobre o tipo de narrador de Dom Casmurro, assinale a alternativa correta.
a) O narrador é onisciente e observa os fatos de fora, sem interferir na interpretação do leitor.
b) O narrador é Bentinho, em primeira pessoa, e sua parcialidade compromete a certeza sobre a traição de Capitu.
c) O narrador muda ao longo da obra, alternando entre Bentinho e Capitu.
d) O narrador é onisciente intruso, mas neutro quanto aos fatos narrados.
e) A obra não tem narrador definido, sendo composta só de diálogos.
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Gabarito: B. Bentinho narra em primeira pessoa, décadas depois dos fatos, e sua desconfiança de traído molda tudo o que é contado — por isso o texto nunca oferece prova objetiva da culpa de Capitu. É um dos pontos centrais para compreender a construção narrativa da obra.
Questão 2 — O capítulo "Otelo", em que Bentinho assiste à peça de Shakespeare, é frequentemente citado pela crítica porque
a) prova, de forma definitiva, que Capitu traiu Bentinho.
b) aproxima o ciúme de Bentinho do conflito de Otelo e convida o leitor a comparar indícios, interpretação e certeza.
c) é o único momento em que Capitu tem voz própria na narrativa.
d) marca o momento em que Bentinho perdoa Capitu.
e) é uma peça inventada por Machado, sem relação com nenhuma obra real.
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Gabarito: B. A referência a Otelo amplia o tema do ciúme e chama atenção para a relação entre indício, interpretação e convicção. O paralelo é importante justamente porque o romance de Machado não encerra a leitura com uma prova externa conclusiva.
Questão 3 — A estrutura de Dom Casmurro, organizada em 148 capítulos curtos, contribui para
a) facilitar apenas a publicação do livro em jornal, sem produzir efeito narrativo relevante.
b) produzir uma narrativa fragmentada, com pausas, digressões e mudanças de foco que aproximam o leitor do modo como Bentinho reconstrói o passado.
c) reproduzir uma divisão imposta pelo editor, sem relação com a construção da narrativa.
d) caracterizar a obra como Naturalista, por ser uma exigência formal desse movimento.
e) separar episódios sem relação com a memória e a perspectiva do narrador.
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Gabarito: B. Os capítulos curtos favorecem interrupções, comentários e digressões, ajudando a produzir a sensação de um passado reconstruído pelo narrador. Em prova, o mais importante é relacionar forma narrativa e efeito de leitura, em vez de tratar a estrutura como simples divisão editorial.
Questão 4 — Sobre o contexto histórico e social relacionado a Dom Casmurro, é correto afirmar que
a) todo o enredo se passa depois da Proclamação da República e representa apenas a sociedade republicana.
b) a obra retrata diretamente a Guerra do Paraguai como pano de fundo central.
c) grande parte das lembranças de Bentinho remete à sociedade carioca do Segundo Reinado, com relações familiares, religiosas e de favor importantes para a interpretação do romance.
d) Machado de Assis critica exclusivamente a escravidão ao longo de toda a narrativa.
e) não há qualquer relação entre o enredo e o contexto histórico da época.
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Gabarito: C. O romance foi publicado em 1899, já na República, mas grande parte das lembranças narradas por Bentinho remete ao Brasil imperial. A figura do agregado José Dias, as relações familiares e a religiosidade ajudam a compreender o ambiente social reconstruído pelo narrador. Veja mais em contexto histórico.
Questão 5 — José Dias descreve os olhos de Capitu como "de cigana oblíqua e dissimulada", expressão que depois é lembrada por Bentinho. Essa caracterização
a) é uma descrição neutra, sem nenhuma carga de julgamento por parte do narrador.
b) introduz uma avaliação de Capitu antes dos acontecimentos centrais e mostra como julgamentos de outras personagens também entram na memória narrada por Bentinho.
c) foi feita pela própria Capitu sobre si mesma, num raro momento de narração em primeira pessoa dela.
d) aparece apenas no capítulo final da obra, como conclusão da trama.
e) é elogiada por todos os outros personagens do livro, sem exceção.
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Gabarito: B. A expressão é dita por José Dias e depois recuperada por Bentinho. Esse detalhe é importante: a imagem de Capitu é construída por uma narrativa que incorpora avaliações, lembranças e vozes de outras personagens, não por uma descrição neutra.
Questão 6 — Sobre o desfecho da obra e a questão da culpa de Capitu, é correto afirmar que
a) o texto apresenta uma confissão explícita de Capitu antes de sua morte na Europa.
b) o romance evita dar uma resposta definitiva, sustentando a suspeita pela ótica de Bentinho, sem provas conclusivas sobre a paternidade de Ezequiel.
c) Ezequiel confirma, em seu retorno ao Brasil, que Escobar era seu verdadeiro pai.
d) o narrador onisciente resolve o mistério no último capítulo.
e) Capitu é condenada judicialmente por adultério ao final da obra.
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Gabarito: B. O romance não oferece uma prova conclusiva capaz de encerrar a questão da traição. Em exercícios de interpretação, é importante distinguir a suspeita narrada por Bentinho de um fato comprovado pelo texto. Veja a análise completa em Capitu traiu Bentinho? e o final explicado.
Bloco 2 — Verdadeiro ou falso
Marque mentalmente V ou F antes de abrir a resposta.
Bentinho conta os acontecimentos muitos anos depois de vivê-los.
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Verdadeiro. A distância temporal é essencial para compreender o papel da memória na narrativa.
O romance apresenta uma prova objetiva e definitiva de que Capitu traiu Bentinho.
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Falso. A acusação chega ao leitor pela perspectiva de Bentinho e permanece sem comprovação conclusiva.
José Dias exemplifica relações de dependência e favor presentes na sociedade retratada.
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Verdadeiro. A posição do agregado ajuda a estudar as relações sociais do período.
A primeira pessoa torna o relato automaticamente mais objetivo.
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Falso. Em Dom Casmurro, a primeira pessoa exige atenção à perspectiva e aos interesses do narrador.
Bloco 3 — Checagem de compreensão
Responda sem consultar os artigos. Depois compare sua resposta com os pontos esperados.
1. Por que não basta perguntar apenas “Capitu traiu Bentinho?” para interpretar o romance?
O que sua resposta deveria mencionar
A perspectiva de Bentinho, a memória, a ausência de prova conclusiva e a maneira como o próprio relato constrói a suspeita.
2. Cite duas características da narrativa que podem ser relacionadas ao Realismo machadiano.
O que sua resposta deveria mencionar
Entre as possibilidades: análise psicológica, crítica social, ironia, problematização das aparências e construção complexa do narrador.
Seu percurso
Leitura ✓ → Estudo ✓ → Revisão ✓ → Teste
Se você teve dificuldade em justificar as respostas, retorne aos artigos correspondentes. O objetivo não é decorar o gabarito, mas conseguir explicar por que uma alternativa está correta.
Pontos que você deve conseguir explicar
- A perspectiva de Bentinho e a ausência de confirmação externa definitiva sobre a traição
- A comparação com Otelo, de Shakespeare (capítulo CXXXV)
- O contexto do Segundo Reinado e as relações de favor (agregados)
- A construção da linguagem: escolhas de palavras que já indicam parcialidade do narrador
- Comparação com Memórias Póstumas de Brás Cubas
Continue com a análise de temas e símbolos e as frases marcantes pra fechar sua revisão.